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Palavra do Senhor
Sunday, March 14, 2004
  Para reflectir e comentar:

Numa das minhas incursões pelo blog do viloriairrisoria, este tinha escrito que, ao passar por uma livraria do Porto e ao remexer num cesto de livros velhos, encontrou uma publicação do saudoso Sampedrense Dr. José Inácio Coelho. Ao que parece, a publicação não é mais do que uma antologia de artigos, por ele escritos e publicados na extinta Tribuna de Lafões, nos agitados anos de 1975 e 1976, altura em que o Dr. JIC defendia a máxima: “DEMOCRACIA SIM, COMUNISMO NÃO”. E, por via disso, ia berdoando nos cassetes desta vila. No mesmo viloriairrisoria, fazia-se citação de uma passagem do dito livrinho, onde se dizia que o Sampedrense Dr. Jaime Gralheiro se blasonava ser uma lâmpada tão incandescente que, lampejo tão fogoso era demais para S. Pedro do Sul.
Ora, é sabido que um dos mais fiéis e imutáveis comunas desta plácida terrinha é o Dr. JG. Este verboso causídico, passados 30 anos do 25 de Abril continua a repetir o disco. Numa entrevista que deu a uma revista das nossas bancas, que li no mês de Dezembro ou Janeiro, continuava a repetir que era uma lâmpada de 100 velas num quarto que só precisa de 25.
Eu questiono:
Como é que numa terra com tantos e tão potentes lampiões, S. Pedro do Sul ainda não foi capaz de despertar de uma penumbra que dura há 30 anos?
E sabe-se lá quantos mais anos irá continuar no seu sono…!
 
  Eu, como sou um SER omnipresente, sei de tudo o que se passa nesta Vilaça. Desta vez o embasbacamento não veio das obras que se projectam, mas, das atitudes de deboche e depravação ocorridas nas retretes do Pavilhão Gimno-Desportivo.
Deixo-vos com a burlesca e dissoluta descrição do ocorrido.

ORGIA NA VILAÇA

Mas que cena de chalaça,
Vos vou eu contar.
Passou-se nesta Vilaça,
Um caso de pasmar.

Duas bichonas desta terra,
Encontrados no pavilhão,
Na dúbia posição
Da Alemanha no fim da guerra.
Chamados aos lavabos,
Veio a bófia e a protecção.
Lá dentro fechados,
Dois que pegavam de empurrão.

As autoridades presentes,
Abrindo a porta de empurrão,
Viram cenas indecentes!
Surpreenderam dois desavergonhados,
Que sem cueca e sem calção,
Procuravam o sabão,
Com os rabos alçados,
E o nariz no chão.

Ó varões desta vila
Cuidado no pavilhão!
Não entreguem o bujão,
A uma sinistra pila.
Oiçam um conselho de irmão…
Não entrem na do gay!
Porque o que é razão,
É: no cu não entra do cu só sai.

SENHOR PERDOAI-ME O BREJEIRO E OBSCENO CONTEUDO DA VERSALHADA.
 
Sunday, February 29, 2004
  Por não me apetecer falar da mutreca meretriz de Vilar; por não ter complexos de falos e, portanto, não precisar de mecanismos de defesa para os exorcizar, enfim, por não ter o génio criativo dos compinchas bloguistas, mas, compartilhando com eles a visão caleidoscópia de S. Pedro do Sul, limito-me a recriar e adaptar o velhinho HINO DE LAFÕES aos actuais propósitos da minha sacro santa terrinha.

HINO DA VILAÇA

São cheios de pontes
Estes horizontes
Por onde passamos.
Ainda assim vivemos
Alheados do que temos
Sem fazermos caso.
Das terras que vi
Como esta daqui
Oh! Não há igual…
Do património cultural
Ao alvará municipal
É tudo um atraso.

São Pedro do Sul
É um enguiço
Tem d’ir ao bruxo
Quebrar o feitiço

(BIS)

Ventoinhas nos montes
Nos rios pontes e mais pontes
O Cine-Teatro nos jurídicos
Nos bairros históricos
Prédios e escritórios
Mas que triste sina!
Quanto há de formoso
Deixam pavoroso
Os ímpios desta terra…
Do alto da serra
O povo é que berra
Ouve lá traquina:

São Pedro do Sul
É um enguiço
Tem d’ir ao bruxo
Quebrar o feitiço

(BIS)

Tem trilhos nos montes
Pontes e mais Pontes
Para construir.
Umas Caldas a falir
Com gestores p’ras gerir
A água é medicinal.
Tinha um belo rio
Onde pelo estio
Íamos ao mergulho…
Talvez no futuro
O rio volte a ser puro
Se for vontade do Maioral.

São Pedro do Sul
É um enguiço
Tem d’ir ao bruxo
Quebrar o feitiço

(BIS)

O nosso Maioral
Vizinho de São Macário
É rapaz altaneiro
De verbo pantomineiro
Promete por inteiro
Cargos à rapaziada.
Se ele vai embora
Muita gente chora
Outros entram a rir…
Ficando a seguir
Ficando a seguir
A mesma caldeirada.

São Pedro do Sul
É um enguiço
Tem d’ir ao bruxo
Quebrar o feitiço

(BIS)

Não temos cinema
Museu nem jardim
E outras coisas mais
As paisagens naturais
Belas por demais
Estão a desaparecer.
Temos o Convento
Onde falta tento
Aos da laboração…
E o São Sebastião
E o São Sebastião
A vos responder:

São Pedro do Sul
É um enguiço
Tem d’ir ao bruxo
Quebrar o feitiço

(BIS)

Ceboleiros desta vila
Ouçam lá o que vos digo
Não façam ouvidos moucos.
Andam para aí uns loucos
E não são assim tão poucos
A fazer figura.
Por isso não hesitem
Gritem, gritem, gritem
Gritem todos comigo…
Ó São Pedro amigo
Ó São Pedro amigo
Dá-lhes com a verga dura

São Pedro do Sul
É um enguiço
Tem d’ir ao bruxo
Quebrar o feitiço

(BIS)

Se não jogar a bota com a predigota, que é como quem diz, se não jogar a métrica da letra com o ritmo da música, não me condenem. Não sou poeta nem músico.
Espero que saibam a música e, com as vossas vozinhas estridentes e esganiçadas, cantem todos comigo. Se não souberem… nem são Sampedrenses nem são nada!

Que a paz reine nos vossos corações ceboleiros…
 
  Para comentar e reflectir:

Há uns anos atrás, creio que a quando das eleições intercalares para a Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, ia eu a passar na Rua de Camões, junto à guarida dos comunas, quando, pelos auto-falantes do carro com a foice e o martelo, a voz do cassete que lá estava dentro propagandeava com grande alarido: “… MELHORAMOS O ABASTECIMENTO DE ÁGUA ÀS POPULAÇÕES…”.

Até aqui… Tudo muito bem! A razão estava com a cassete!

Pela mesma altura, passava por mim uma senhora de aspecto serrano, com um lenço na cabeça, onde se vislumbrava uma cara de pele trigueira e bexigosa, nos pés umas chanatas e a albardar-lhe o bojudo corpo uma bata preta por baixo de uns mandongos igualmente pretos e, pendurada numa das mãos, trazia uma ceira de feira, que lhe forçava o peso na coluna dando-lhe um caminhar adunco. A cipreste senhora, com uma voz roufenha, balbuciava por entre os poucos dentes que lhe restavam: “OLHA ÁGUA! SE MELHORASSEM MAS ERA O ABASTECIMENTO DE VINHO… AGORA CÁ COM A ÁGUA!”.
 
Saturday, February 28, 2004
  Não tenho um estilo cinzelado ou eloquência de um Robin do Senado. Ai… perdão, perdão, perdão. Corrijo: Não é Robin do Senado é Robin do TELHADO! ou o biliático acre das palavras de um Viloriairrisoria, porém, à minha maneira aguilharei aquilo ou aqueles que precisem de ser tocados para a frente e segurarei as rédeas daquilo ou daqueles que precisem de arrepiar caminho.
Por agora, deixo-vos com o Mestre Miguel Torga.

PEDAGOGIA

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende…
A vida compra e vende
A perdição.
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!

Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvor
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafionta
O adulto que hás-de ser!

Miguel Torga. Diário IX

Ficai em paz e que S. Pedro vos abençoe, pois, há Sampedrenses que não sabem o que fazem.
 
S. Pedro do Sul

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